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Prova Positiva da Capacidade do Ser Humano
Prova Positiva da Capacidade do Ser Humano

Prova positiva da capacidade do ser humano

Autor anônimo
 

No outono de 1723, há 257 anos, na época dos samurais em Tóquio (antiga Edo), ocorreu um fato terrível e sangrento na poderosa casa de um senhor feudal de uma província do norte do Japão.

O sistema político dessa época era o feudalismo.

Por isso, todos os senhores feudais precisavam obedecer a um sistema de vigilância, na forma de uma permanência temporária na capital, que durava um ano.

Isto demonstrava a fidelidade e a obediência ao Shogum, o presidente da autocracia daquele tempo.
 

Havia um senhor feudal, chamado Saburobei Nakagawa, que tinha um filho, Jitsunossuke, herdeiro de três anos de idade.
 

O senhor feudal Saburobei já cumprira por várias vezes a obrigação de permanência temporária. Chegou a construir uma casa de luxo na rua Tawara de Assakusa, em Tóquio, como outros senhores feudais também o fizeram, obedecendo ao regulamento do governo central.
 

Mas, enquanto ele morava na capital, precisava deixar sua família (esposa e filho), no seu castelo, numa província ao norte do Japão.

E, ao contrário, quando ele voltava ao seu castelo, precisava deixar um administrador, vassalos, samurais e empregados, na capital, durante sua ausência.

Sua casa na capital tinha bastante utilidade. Ela era um elo entre a capital e o interior e funcionava como um consulado, como no sistema atual.
 

O senhor feudal, longe de sua mulher e filho, morava na casa da capital com uma amásia.

Mas, quando ele voltava ao seu castelo, não podia levar sua amásia, e tinha que confiá-la ao seu administrador e vassalos até chegar o próximo período de permanência na capital.
 

Ao voltar à capital depois de alguns anos, o senhor feudal Saburobei inteirou-se de que sua amásia, Oyumi, o havia traído com um de seus vassalos mais leais, chamado Ichikuro.
 

Saburobei encheu-se de cólera quando recebeu a denúncia da traição.

Mandou chamar o adúltero Ichikuro em uma sala separada, no fundo da casa, para decidir imediatamente a melhor forma de decidir esse caso.

Ichikuro prontamente apareceu e prostrou-se profunda e respeitosamente sobre o tatame, diante de seu senhor.

O senhor feudal repreendeu severa e violentamente a Ichikuro, mas este não respondia nada, apenas mantinha o seu corpo em profunda e silenciosa inclinação, amparado em seus dois braços.
 

Saburobei perdeu a paciência e, sem nenhum aviso, deu um golpe forte de espada visando a cabeça de Ichikuro.

Nesse momento de perigo, Ichikuro escapou do ataque súbito de Saburobei defendendo-se com um candelabro, que foi a única coisa que encontrou ao alcance da sua mão.

Mesmo assim, seu rosto esquerdo foi ferido pela ponta da espada.
 

Ichikuro não tinha um pensamento relutante e desobediente, pelo contrário, ele estava sofrendo muito, atormentado pela consciência pesada.

Mas apesar de todas as suas culpas, inconscientemente, ele sentia vontade de viver.

Os ataques violentos e sucessivos da espada de Saburobei foram ficando cada vez mais freqüentes, forçando Ichikuro a tomar uma atitude defensiva.

Essa luta continuou por mais algum tempo.

Seu instinto de sobrevivência de homem ferido começou a dominar, enfraquecendo a discrição própria da relação entre um senhor e seu vassalo.

Até que se rompeu esse relacionamento por causa da ameaça do senhor.
 

Finalmente a luta chegou a um momento crítico e decisivo.

Saburobei começou a atacar impetuosamente a fim de liquidar o traído odiado, tentando dar um último golpe mortal sobre Ichikuro, que se achava encurralado num canto da sala.

O golpe foi violento.
 

Essa luta entre senhor e vassalo terminou com um resultado acidental e fatal por causa da falha do último golpe de Saburobei.

O último golpe do irritado Saburobei atingiu apenas um suporte de madeira da casa, e ele recebeu a força oponente e desesperada da espada curta de Ichikuro, que atingiu um ponto mortal do seu peito.
 

Depois dessa luta violenta, ichikuro quase desmaiou devido a excitação excessiva e a exaustão extrema.

Quando recuperou a consciência, começou a tremer de medo, de arrependimento, de espanto, reconhecendo a violência do grave crime que cometera ao assassinar o seu senhor.

Era o crime mais grave que havia. Imediatamente, e sem hesitação, aprontou-se para praticar o Harakiri, pois apesar de Ter adulterado, nunca havia cometido qualquer maldade em sua vida.
 

No momento em que ia realizar o Harakiri, de olhos fechados, escutou repentinamente, uma voz de mulher, vinda do outro quarto.
 

A porta corrediça do corredor se abriu e a amásia Oyumi apareceu, exclamando:
 

“Ichikuro! Eu também estava com medo de morrer! Se Saburobei o matasse, eu também seria morta pela espada dele. Eu estava escondida atrás do biombo, cheia de ansiedade e desespero. Mas tudo isso passou, Ichikuro! Foi você o vencedor. Você matou Saburobei! Levante-se! Coragem! Não podemos perder nem um minuto sequer para fugir daqui, porque felizmente ainda não apareceu ninguém. Vamos fugir logo!”.
 

Ichikuro levantou-se, impensadamente, como que hipnotizado.

Oyumi levou Ichikuro ao outro quarto e silenciosa e rapidamente abriu todas as gavetas de todos os armários e cômodas do quarto, procurando dinheiro e coisas valiosas.

Colocou tudo sobre um pano aberto no chão e rapidamente embrulhou-os em lenços de pano, fazendo três ou quatro pacotes.

Assim, os dois adúlteros fugiram da casa do senhor feudal assassinado.
 

Eles seguiram a sua viagem de fugitivos, furtiva e desvairadamente, afastando-se o mais possível da capital.
 

O jovem samurai, Ichikuro, sofreu continuamente durante essa viagem involuntária, sendo torturado dia e noite por sua consciência.

Mas Oyumi era uma mulher madura, corajosa e flexível.

Ela influenciava Ichikuro constantemente.

Dizia:
 

“Nós somos criminosos e não temos condições de viver de forma normal. Não adianta sofrer tanto.

A vida é curta, por isso precisamos aproveitar qualquer possibilidade e qualquer oportunidade para viver com a máxima satisfação. Você não é covarde, muito pelo contrário, você mostrou a sua coragem e a sua grande capacidade, matando aquele senhor feudal poderoso. Esqueçamos tudo!”.
 

Assim, decaindo dia a dia, continuaram a viagem.

Quando chegaram num entroncamento, numa aldeia situada no centro de um lugar montanhoso, ao sul do Japão, viram que toda sua posse havia se esgotado e que não tinham nenhuma condição de ganhar dinheiro trabalhando honestamente.

Resolveram então roubar.

Eles aprenderam vários modos de roubar.

Roubavam principalmente dos viajantes e passantes ricos que se aventuravam pelos caminhos das altas e arborizadas montanhas.

Se as vítimas lhes entregassem todo o seu dinheiro e bens que traziam consigo, sem protestar, eles nada lhes faziam.

Porém, quando elas protestavam muito, não querendo lhes entregar nada, eles usavam a violência e chegavam até a matá-las.
 

Mataram mais de uma dezena de pessoas, entre comerciantes, passantes e viajantes, se deslocando sempre a outros lugares, a fim de escapar do controle do policiamento.
 

Durante três anos eles fizeram isso.

No início da primavera, depois de um inverno rigoroso, sempre aumentava a quantidade de viajantes.

Eles ficavam mais animados, pois havia mais lucros.
 

Certa vez numa tarde da primavera, eles encontraram um casal de jovens.

Tinham acabado de se casar e estavam muito bem vestidos.

Oyumi fez um sinal com os olhos para Ichikuro, que esperava uma confirmação sua para assaltar o casal.

Ela consentiu, meneando a cabeça e, logo em seguida, ele correu sem fazer barulho pelo mato até chegar ao lugar planejado.

Esperou alguns minutos atrás de uma árvore grande, até aparecer o casal, desejando que a entrega do dinheiro fosse feita sem relutância, para não acontecer o inevitável.

Ele não queria roubar a vida cheia de felicidade e alegria dos jovens recém-casados que sonhavam com o futuro.
 

Logo apareceram as duas figuras andando depressa e ritmadamente.

Ichikuro fechou-lhes o caminho repentinamente, soltando palavras ameaçadoras.

O jovem, que era um samurai, preparou-se numa postura firme para a luta com o inimigo que lhe aparecia, protegendo a mulher atrás de si.
 

Ele não pretendia entregar nada e mostrou sua vontade de lutar, segurando firmemente sua espada levantada.

Ichikuro gritou:
 

“Não arrisquem suas vidas preciosas. Entreguem todo o seu dinheiro, obedientemente!”.

Mas não adiantou nada, porque no momento que Ichikuro acabou de gritar, o jovem samurai arremessou-se contra ele e foi lançado por terra com uma pancada da espada de Ichikuro.
 

Nesse momento aconteceu outra tragédia.

A jovem esposa, que presenciava a luta, suicidou-se com sua espada curta.
 

Ichikuro sentiu um choque profundo, porque até aquele instante ele nunca havia tirado a vida de um jovem e agora, involuntariamente, ele era o causador do fim dessas duas vidas que ainda estavam na flor da idade.
 

Pegou o dinheiro das vítimas e fugiu depressa do lugar trágico, correndo pelo meio do mato, até encontrar a companheira criminosa.

Ela, porém, depois de verificar a quantia saqueada, zangou-se com ele, porque era uma quantia insatisfatória.
 

“Por que você não pegou aquele vestido, o alfinete de cabelo, o anel e os outros adornos que a mulher trazia em seu corpo?”
 

Ichikuro não respondeu nada.
 

“Além de Ter assassinado os dois, por que você não pegou os seus objetos de valor? Eu não entendo o porquê. Você não é principiante nesse trabalho. O que você está pensando? Responda!”
 

Ichikuro não respondeu nada.

Continuou sentado, silenciosamente, com os seus olhos fechados e a cabeça baixa.
 

“Agora volte e traga-me todos aqueles valores!”
 

Ela gritou grosseira e irritadamente.

Ichikuro nem levantou a cabeça.
 

“Você é um burro, um covarde, um idiota! Se não tem interesse por essas coisas de valor, então eu vou buscá-las sozinha”.
 

Assim ela levantou-se e começou a correr pelo mato, mostrando e revelando, mesmo de costas, o seu pensamento energúmeno.

A confusão que ocorria dentro da cabeça de Ichikuro estava pressionando-o violentamente. Parecia que sua cabeça ia estourar.

Ele nunca havia sentido felicidade, alegria, ou tranqüilidade, desde o início daquela viagem como fugitivo, ao lado de sua mulher oyumi.

Pelo contrário, só havia sofrimento e sua consciência criminosa o atormentava cada vez mais forte e insuportavelmente.
 

O sofrimento acumulado de Ichikuro chegara ao limite extremo.

Ele levantou-se rapidamente, tomando uma decisão definitiva e absoluta.

Desceu correndo para o meio das montanhas, escolhendo a direção contrária a de Oyumi.
 

Correu sem pensar, sem descansar, sem parar, continuamente, noite adentro.

Enfim, depois de alguns dias de vagar fugitivo, ele recorreu a um templo budista, chamado Jogan-ji (que significa “o templo da autopurificação").

Apesar de Ichikuro confessar todo o seu passado, o sacerdote do templo permitiu-lhe ficar e ofereceu-lhe alojamento.

E, quando Ichikuro mostrou vontade de se entregar ao julgamento pelos seus crimes, um monge do templo respondeu-lhe o seguinte:
 

“Isso é uma solução muito fácil, mas não é aconselhável, porque é a negação de toda a sua vida. O único caminho ideal é o da purificação, a fim de se realizar o máximo de benefícios à humanidade”.
 

Assim, Ichikuro entregou toda a sua vida ao disciplinamento severo da purificação que era próprio desse templo.

Correram alguns anos, dias e noites, nos quais Ichikuro, sem parar, treinava-se, absorvido na concentração, na purificação e na meditação, atravessando os vários meios rigorosos do auto-disciplinamento.

Finalmente, ele ganhou um novo nome.
 

Aquele Ichikuro morrera.

Passou a chamar-se Ryokai, que significa “homem transformado em água” ou “água corrente”.
 

Assim, morreu Ichikuro, aquele criminoso, dando início a uma nova vida, a do monge Ryokai, e ao começo da realização de sua capacidade disciplinada.

O monge Ryokai peregrinou por vários lugares do Japão, mostrando a sua capacidade na salvação das pessoas e na prática da beneficência, trabalhando e tratando dos pobres e dos doentes.

Apesar de tudo isso, ele nunca conseguia sentir uma satisfação profunda e intensa ao contrário de seu crime e a toda tristeza de seu passado inesquecível.
 

Quando o monge Ryokai, certo dia, chegou ao vale do rio Yamakuni de Kyushu, numa ilha muito grande, o outono já estava findando.

Depois de almoçar em uma aldeia que se chamava Hida, continuou sua viagem por uma forte ladeira, que acompanhava a correnteza do rio Yamakuni.

Era uma região de altas e escarpadas montanhas.

Esse caminho estava localizado ao sopé da montanha.

Ele era facilmente transitável, porém em certo ponto ele se tornou tão íngreme e escarpado que obrigou as pessoas daquele lugar a construir uma ponte, de uma parte a outra da montanha.

Ao lado dessa ponte havia um despenhadeiro profundo, onde se podia vislumbrar um enorme redemoinho formado pelas águas do rio Yamakuni, que furiosamente investia contra as rochas, ocasionando um espetáculo terrível e deslumbrante.
 

Quando Ryokai caminhava por uma parte da ladeira daquela montanha escarpada, encontrou uma multidão tumultuosa de camponeses daquela região.

Compreendeu que havia acontecido um acidente no despenhadeiro do rio Yamakuni.

Haviam encontrado o cadáver de um homem que aparentava ter sido muito forte quando vivo.

Pela explicação de um velho camponês, esse tipo de acidente sempre acontecia naquele lugar perigoso, ocasionando 10 a 15 vítimas por ano.
 

O monge Ryokai reconheceu a existência de perigos naquele passo difícil no meio do despenhadeiro, que impedia um caminho livre e seguro para o povo daquela região.

A única solução que haviam dado era a colocação daquela ponte comprida, suspensa no meio do alcantil arriscado.

Porém, em dias chuvosos e de ventanias, a passagem por aquela ponte era muito arriscada e perigosa.
 

O monge Ryokai também passou por aquela ponte instável.

Viu a garganta diabólica formada pelo redemoinho das águas do rio, debaixo da ponte, e também percebeu o alcantil desmoronável, que parecia a garra de um diabo monstruoso e ameaçador.
 

No momento em que ele chegou ao fim daquela ponte instável, uma revelação divina lampejou dentro de sua cabeça, como um relâmpago.

Foi como um choque elétrico.

Com emoção profunda e imensurável ele captou a emissão de um mandamento divino nas profundezas de seu cérebro.
 

Agora, finalmente, ele havia encontrado a razão de sua vida.

A realização de uma obra inestimável e indispensável.

Ele destruiria aquela ponte e em seu lugar cavaria um túnel, do mesmo comprimento, ligando uma extremidade à outra do despenhadeiro.

Assim, ele salvaria todos os viajantes que passassem por aquele caminho perigoso.
 

Imediatamente começou a preparação de sua obra, pedindo a colaboração de todo o pessoal da região.

Porém, ninguém mostrou interesse em colaborar com o monge vagabundo, porque eles o julgavam maluco ou fraudador.

Nomeio daquela alta montanha, a construção de um túnel com 390 metros de comprimento e o transporte de 30 mil metros cúbicos de terra pedregosa era completamente fora do comum.

Apesar do povo estar desinteressado, ninguém conseguiu mudar a decisão de Ryokai.
 

Ryokai adquiriu uma marreta e um escopro e começou, sem hesitação, o formidável trabalho, enfrentando o alcantil da montanha.
 

Ao verem o seu propósito, os camponeses exclamavam:
 

“Esse monge mendigo enlouqueceu!”
 

Assim começou a formidável luta de Ryokai pela simultânea realização interior e exterior.

Após meio ano de trabalho o resultado foi muito pequeno, miserável, realmente pequeno, mas o som do movimento da sua marreta contra as pedras continuava dia e noite, sem papar.

Ele resolveu seu problema de alimentação esmolando restos de comida na aldeia.

Depois de um ano de constantes pancadas de marreta na montanha, Ryokai conseguiu escavar 11 metros do túnel. Os aldeões sorriam diante desse trabalho insignificante.

O motejo de aldeões continuou ainda por mais dois ou três anos seguido.



Porém, após quatro outonos, o sentimento dessa gente em relação a Ryokai pouco a pouco começou a mudar.

Eles começaram a ficar verdadeiramente espantados pela sua extraordinária perseverança e um sentimento de simpatia aflorou no coração daquela gente.
 

A concentração de Ryokai nos movimentos constantes das pancadas de marreta dentro daquela gruta escura foi purificando cada vez mais profundamente o seu espírito, fazendo-o esquecer todos os acontecimentos do seu passado.

Seus cabelos despenteados, o seu bigode e a sua barba cresceram excessivamente, chegando até os ombros e peito.
 

Mesmo assim, as pessoas daquele lugar mostravam  um sentimento de pena e tristeza pelo esforço de Ryokai, dizendo:
 

“Esse monge louco é um coitado; vai acabar a sua vida nesse trabalho completamente inútil e infrutífero”.
 

O tempo ia correndo. Passaram-se mais alguns anos e, quando a escavação na gruta chegou a 38 metros de profundidade, depois de nove anos, o povo da aldeia Hida sentiu a possibilidade da realização daquela fabulosa obra.

Imaginando o resultado de todo o povo de Hida, comparando com o resultado do trabalho de nove anos do monge mendigo, os homens pensaram na possibilidade de um adiantamento da obra de Ryokai se reunissem todos os esforços dos homens das várias aldeias.
 

Assim, reuniram-se todas as pessoas das aldeias, da zona do rio Yamakuni, para organizar rodízios de grupos de trabalho.

Muita gente munida de instrumentos de trabalho começou a labutar no túnel.

Agora, dentro da gruta de Ryokai não havia mais solidão, porque ele estava recebendo uma grande colaboração de todos os povos da região do rio, mesmo daqueles que haviam zombado e duvidado da realização de sua obra.

Escutava-se longe o eco animado das marretas contra as pedras dentro da gruta.
 

Porém, o apoio e a colaboração do povo enfraqueceu-se, transformando em dúvida e desespero, logo que encontraram uma rocha gigante, dura como o ferro, barrando-lhes a continuação do trabalho.

Continuaram somente por mais um ano com muito pouco resultado, comparado com o plano inicial imaginado e esperançoso.
 

“Nós fomos enganados por aquele monge maluco! A realização de um túnel dentro dessa montanha é completamente impossível, mesmo que multipliquemos os esforços”.
 

Eles abandonaram e esqueceram o trabalho do monge maluco.
 

Por fim, o monge Ryokai, exausto e magro, ficou novamente sozinho dentro da gruta escura.

Mas, apesar de todos os seus companheiros debandarem e abandonarem o trabalho, ele não se abalou nem um pouco e continuou o seu trabalho com devoção, ardentemente.
 

A existência do monge Ryokai dentro da gruta foi gradualmente esquecida pelos aldeões.

Quando alguém, temporariamente, se lembrava dele, ia até lá e espiava os movimentos de Ryokai naquela escuridão, duvidando do resultado do seu trabalho.

Contudo, escutavam-se os ecos contínuos da marreta contra a pedra.

Passaram-se mais alguns anos e Ryokai e as pessoas das aldeias se esqueceram mutuamente.
 

A única realidade para Ryokai era aquela rocha colossal que ele enfrentava com toda a força de sua concentração.
 

A sua figura não era mais de um homem deste mundo.

Ele estava em pele e osso, os olhos fundos, a pele descorada.

Esse frágil Ryokai era resultado daquele trabalho árduo e contínuo de mais de 13 anos.

Às vezes ele permanecia sentado sobre as rochas duras e frias, dentro da gruta, por horas e horas.

A sua única alegria e satisfação eram quando via despedaçar-se mais um fragmento da rocha, como resultado de cada pancada concentrada na marreta.
 

E o tempo continuou passando...
 

Muitos haviam se esquecido da existência de Ryokai.

Alguns aldeões, entretanto, lembrando-se dele, foram espiá-lo na gruta e descobriram com espanto o resultado de seu trabalho, que mostrava 120 metros de profundidade, cavados na montanha.

Isso despertou novamente a esperança do povo  junto com ela ressurgiu a confiança e o respeito por Ryokai, cada vez mais magro.

Os aldeões sentiram-se envergonhados de sua indiferença e ignorância.

Resolveram ajudá-lo mais uma vez e o eco animado das marretas voltou a soar dentro do túnel. Foram abertos alguns buracos na parte lateral do túnel para iluminar e ventilar a gruta.
 

Porém, depois de um ano, o monge Ryokai ficou novamente sozinho.

Os aldeões dessa região levavam uma vida muito difícil e eram muito pobres.

Para sustentarem suas famílias não podiam abandonar o seu trabalho na lavoura.

Assim, todos os colaboradores, um por um, foram abandonando a obra na gruta.

Escutava-se um único eco daquela marreta viva que ficou sozinha, jogada na gruta úmida, fria e escura, durante dias e noites.
 

No espírito concentrado de Ryokai não se encontrava nada das coisas passadas e futuras.

Ele estava concentrado na realização constante e na aplicação máxima de toda a sua capacidade no agora, no momento.

A decisão absoluta, a vontade ardente e o amor veemente de Ryokai superam a resistência da enorme rocha.

Cada pancada da marreta era a vida inteira de Ryokai, que depois de 18 anos de espantoso trabalho conseguiu chegar a metade da realização da obra do túnel.
 

Os habitantes das aldeias da região do rio Yamakuni sentiram o grande impacto das pancadas daquela marreta divina que conseguiu chegar a um resultado extraordinário e milagroso devido a perseverança do monge Ryokai.

Agora ninguém mais duvidava da realização da obra de Ryokai.

Todas as pessoas daquela região se levantaram e colaboraram  naquele trabalho.

Também o governo local promoveu esforços para a conclusão do túnel do rio Yamakuni.
 

Desse momento em diante, a obra do túnel começou a se adiantar rapidamente como o fogo no capim seco em um grande campo.

Todos os aldeões insistiam para que o monge Ryokai, em um estado muito enfraquecido e dolorido, repousasse para se recuperar, mas ele recusava, obstinadamente, esse pedido do povo.
 

Esse desejo ardente daquela gente tinha uma razão de ser.

Ryokai estava muito enfraquecido, seus joelhos estavam perdendo a capacidade de articulação e ele já quase nem podia andar, como conseqüência de seu ininterrupto trabalho no fundo daquela gruta escura.

Sua vista também estava extremamente enfraquecida por causa da falta de luminosidade e do ferimento causado pelos salpicos das pedras despedaçadas.
 

Ele não tinha nenhum apego a sua própria vida, mas sabia que não podia morrer antes de terminar a sua obra.
 

“Mais dois anos de perseverança!”, dizia para si mesmo, e continuava seu trabalho.
 

Foi então que para extinguir a sua vida, que era uma frágil luz de vela diante do sopro do vento, apareceu-lhe o inimigo derradeiro e decisivo.

Esse perigo era incomparavelmente mais grave do que o enfraquecimento do seu corpo.
 

Voltemos ao tempo em que o senhor feudal Saburobei Nakagawa foi assassinado pelo seu vassalo Ichikuro.

Logo após esse acontecimento, toda a família de Saburobei, inclusive Jitsunossuke, seu único herdeiro, de três anos de idade, foi expulsa do seu castelo, por mando do governo central, por ter causado desordem naquela base do governo estadual.
 

Jitsunossuke foi acolhido por seus parentes e, quando atingiu a idade de 13 anos, soube do trágico assassinato de seu pai pela mão de um de seus próprios vassalos, Ichikuro.

Também lhe haviam dito que a única possibilidade de voltar ao castelo em que nascera era a realização da vingança completa da morte de seu pai.
 

Jitsunossuke começou um treinamento severo na arte da esgrima na academia Yagyu, a melhor da capital.

Quando completou 19 anos, permitiram-lhe que viajasse para procurar o assassino de seu pai, a fim de vingá-lo. Sua família depositava nele a esperança de voltar ao castelo.
 

Ele procurou ansiosamente o seu inimigo por várias províncias do Japão, enfrentando grandes dificuldades e sacrifícios.

Durante sete anos peregrinou por todos os principais lugares do país.

Ele precisava constantemente lutar consigo mesmo, pois estava desgostoso e aborrecido porque, apesar de todos os seus desgastes e dificuldades, não havia encontrado nenhuma notícia de seu inimigo.

Não conhecia o seu inimigo pessoalmente, pois nunca o vira.

Para fortalecer seu espírito de vingança, ele precisava se lembrar constantemente da morte trágica do seu pai e da grande responsabilidade de reconstrução de sua família tradicional.
 

Após peregrinar por nove primaveras, ele chegou a província de Oita, na ilha de Kyushu.

Nessa província havia um templo famoso chamado “Ussa-Hatiman-Gu”.

Jitsunossuke fez uma visita respeitosa a esse templo, rezando para que se realizasse a sua promessa.

Logo depois, ele ouviu um relato interessante de alguns viajantes que conversavam numa tenda de descanso.

Eles falavam sobre a realização de uma obra interessante e milagrosa por um eminente monge, na aldeia Hida.

Porém a antecedência desse monge era suspeita.

Falavam que ele tinha sido um assassino e consideravam que a construção daquela obra era o resultado de sua confissão concentrada para expiar o seu crime.
 

Quando Jitsunossuke escutou esse relato dos viajantes, interpelou-os ansiosamente:
 

“Eu quero saber o nome, a idade, a fisionomia, a altura e o lugar de nascimento desse monge”.
 

Contaram-lhe que o nome dele era Ryokai e sua idade era de aproximadamente 60 anos.

Sua terra natal era  a província de Ichigo.

Justamente em Ichigo estava o castelo que outrora fora do pai de Jitsunossuke.

Ele não teve dúvidas de que esse monge era o seu inimigo fatal.

Pediu informações mais detalhadas da localização da aldeia Hida aos viajantes e partiu apressada e loucamente para lá.
 

Finalmente, Jitsunossuke chegou a entrada do túnel, onde os homens se movimentavam ativamente, carregando pedaços de pedra.

Conversando com os trabalhadores, ele confirmou a presença de seu inimigo no túnel.

E, logo em seguida, pediu que avisassem o monge Ryokai que um visitante vindo de um lugar distante estava na entrada do túnel, esperando para falar com ele.
 

Jitsunossuke imaginava a fisionomia de seu inimigo como a de um homem musculoso, forte, poderoso, vigoroso, porque o próprio Ryokai era quem atualmente estava comandando todos os povos dessa região para realizar aquela grande obra.

E mais ainda, seu inimigo era um samurai famoso pela grande capacidade na arte da esgrima e no estudo da tática.
 

Jitsunossuke preparou-se para enfrentar um inimigo forte, tomou uma postura e aprontou sua espada.

Depois de algum tempo o monge apareceu na entrada do túnel, muito magro, com as barbas e os cabelos muito longos, arrastando seu corpo como um clunâmbulo, como um sapo.
 

Jitsunossuke, espantado, olhou fixamente para aquele homem que era um cadáver vivo.

Um monge miserável, com suas roupas rasgadas, seus braços e pernas cheios de chagas, seus cabelos e barbas crescidos revoltamente.

Dirigiu-lhe então a palavra:
 

“Desculpe-me, eu não posso reconhecer o senhor, porque minha presbiopia está forte demais”.
 

Diante da fragilidade do monge, Jitsunossuke sentiu-se decepcionado, desanimado, perdendo de imediato seu espírito de ódio e de vingança acumulada.

Ele precisou excitar a sua coragem para enfrentá-lo, reavivando a imagem do inimigo que ele havia formado dentro de si.

Perguntou:
 

“Seu nome é Ryokai?”
 

“Sim, meu nome é Ryokai. E o senhor, quem é?”, replicou curioso o velho monge.
 

“Muito bem, senhor Ryokai, eu quero confirmar seu nome anterior. É Ichikuro?”
 

“Sim”, respondeu o monge.



“O senhor deve estar lembrado do grave crime que cometeu no tempo de sua juventude. Acredito que seja o assassino fugitivo do senhor feudal Saburobei Nakagawa. Eu sou o filho único de Saburobei, e chamo-me Jitsunossuke. Agora não há mais possibilidade de você fugir. Prepare seu corpo e entregue-me obedientemente sua vida inteira, para receber o golpe final do castigo divino”.
 

Ryokai nem se alterou.

Escutou as palavras de Jitsunossuke silenciosamente e respondeu, com uma emoção profunda e saudosa:
 

“Exatamente. Eu sou o assassino fugitivo de seu pai. Fico muito satisfeito por encontrar-me finalmente com o senhor, agora”.
 

Jitsunossuke comoveu-se ante a figura do monge, mas continuou as suas palavras, resistindo a vacilação que é própria do sentimento humano.
 

“Então, prepare-se, fique em postura própria para aceitar o castigo divino pelo seu crime”.
 

Ryokai concordou, calmamente, com a ordem de Jitsunossuke.

Porém, interiormente, lamentou-se profundamente, pois sua obra ainda estava incompleta.

Ele esperava ver a realização integral do túnel. Ele havia apostado a sua vida inteira, ardentemente, durante mais de 20 anos seguidos na execução do túnel e pensou:
 

“Eu não tenho o direito de abusar mais da caridade de deus. Esta é a recompensa dos meus crimes”.
 

Ele preparou-se para morrer, dizendo:
 

“Senhor Jitsunossuke, estou pronto! Quero receber, imediatamente, o castigo. O senhor ficará muito satisfeito em dar cabo a minha vida com a sua espada, perante a minha obra quase acabada”.
 

Jitsunossuke sentiu seu coração vacilar, pensando no significado da sua vingança para com esse monge velho, obediente, honesto, que aceitava e concordava com tudo, sem impor nenhuma condição.

Ele sentiu desaparecer o motivo fatal da sua vingança.

Porem, se ele não a realizasse, não castigasse aquele homem, perderia a única possibilidade de reconstrução de sua família.

Toda a dificuldade e o sofrimento destes longos nove anos de sua peregrinação perderiam o seu sentido.

Jitsunossuke empunhou a sua espada, aproximando-se de Ryokai.

Nesse momento, ouviram-se altos brados dos trabalhadores do túnel e logo em seguida cinco a seis pessoas se colocaram entre Ryokai e Jitsunossuke, impedindo-os de realizar qualquer movimento.
 

“Senhor, o que está querendo fazer com o nosso mestre Ryokai?”, gritaram eles.
 

“Não estorvem este ato! A causa dele é muito antiga! Não permitirei que ninguém continue impedindo a minha decisão”. Falou Jitsunossuke com sua espada fora da bainha.
 

Mas aquela gente cercou o monge Ryokai e o protegeu com seus próprios corpos.

E um velho advertiu:
 

“Não existe luta de hostilidade mútua no mundo purificado e nem existe relação entre inimigo e amigo. Veja bem , senhor samurai!”.
 

O povo daquela região do rio Yamakuni acreditava que o monge Ryokai era a reaparição de um santo poderoso e ninguém podia tocá-lo nem com a ponta do dedo.
 

Porém, apesar de toda aquela gente reunida estar contra a sua vontade, Jitsunossuke ainda precisava cumprir a sua decisiva missão, mostrando o espírito sério de um samurai.

“Ninguém pode permitir um crime de assassinato ao seu senhor, mesmo que esse assassino seja um santo ou um monge. Abram já o caminho! O diálogo é inútil!”.
 

Jitsunossuke preparou a sua postura empunhando a espada, porém aqueles homens também se acautelaram contra aquele ataque, tomando suas atitudes.

Nesse momento, o monge Ryokai gritou com voz firme:
 

“Contenham-se todos! Deixem-me! As suas atitudes para defender-me são inúteis! Eu devo entregar obedientemente a minha vida a esse filho fiel e obediente ao pai”.
 

Quando o monge Ryokai, libertando-se da proteção das pessoas, começou a aproximar-se de Jitsunossuke, o chefe dos pedreiros adiantou-se e falou:
 

“Senhor samurai, nós que o senhor considere uma possibilidade de prorrogamento, de adiamento da vingança, até que o trabalho do túnel esteja terminado. Nós esperamos uma manifestação de sua consciência, para que nos entregue a vida do monge Ryokai, durante mais um tempo, até o término desta obra pela qual ele aposta a vida. Quando o túnel atravessar a montanha, o senhor poderá legalizar, imediatamente, sua decisão”.
 

Quando o chefe dos pedreiros terminou a sua súplica, a multidão gritou, apoiando suas palavras. Jitsunossuke finalmente concordou com a opinião deles, aceitando aquelas condições.
 

Porém, quando a multidão se afastou e Jitsunossuke se viu sozinho, sentiu-se arrependido e se lamentou por ter perdido a oportunidade de vingar-se, ao aceitar, involuntariamente, a súplica inesperada daquela gente.

Quando se lembrou dos nove anos agora perdidos, sua paciência se esgotou.

Lembrou-se com saudade de sua família.

Sua cabeça e seu coração foram se transtornando de impaciência e de irritação, chegando até a perder a consciência e o domínio de seus próprios atos.
 

Decidiu executar sua vingança entrando no túnel, secretamente, na madrugada daquela noite. Porém, essa decisão não foi realizada nessa ocasião, porque a vigilância dos pedreiros na entrada do túnel estava muito rigorosa.

No quinto dia de espera, às três horas da madrugada, conseguiu entrar silenciosa e furtivamente dentro do túnel.

Continuou andando, apoiando suas mãos na parede do túnel.

Continuou andando, aproximadamente 30 a 40 minutos, até escutar um rumor intermitente que vinha do fundo do túnel.

Esse som aumentava cada vez mais, acompanhando  o movimento de cada passo de Jitsunossuke. Quando ele sentiu que estava próximo do monge, seu coração começou a palpitar cada vez mais forte, ao ritmo dos choques violentos criados pelos sons de cada pancada da marreta de Ryokai. Ele foi se aproximando pouco a pouco de Ryokai, acompanhando o som de cada pancada da marreta.

Enfim, Jitsunossuke conseguiu aproximar-se de seu inimigo naquela escuridão, mas quando chegou perto de Ryokai, com sua espada já empunhada, ele ouviu a voz indistinta do monge que rezava as doutrinas sagradas, acompanhando ritmadamente o som de cada pancada.

Aquela voz rouca e trágica, penetrou em suas vísceras e arrepiou seu corpo inteiro, e ele se sentiu completamente hipnotizado, parecendo perder toda a sua capacidade de resistência.
 

Jitsunossuke enxergou embaraçadamente a figura de Ryokai sentado no meio da escuridão, marretando seriamente  a rocha, dentro daquele mundo silencioso.

Ninguém estava acordado nesse momento.

Até as almas dormiam.

A figura de Ryokai não tinha a forma de um homem.

Era uma massa de energia concentrada.

Jitsunossuke perdeu os sentidos.

Quando voltou a si, já estava completamente derrotado pela manifestação inviolável daquele sumo sacerdote.

Ele saiu do túnel com o corpo todo suado.

Decidiu que esperaria o prazo proposto.
 

Alguns dias após esse acontecimento, Jitsunossuke se propôs também a participar do trabalho do túnel, acompanhando os pedreiros e os homens que carregavam os pedaços de pedra.

Ao lado do monge Ryokai, ele enfrentaria a rocha dura, no fundo do túnel, com uma marreta e escopro pesado.

Jitsunossuke sentiu esse trabalho muito pesado, bem mais do que ele imaginara.

Ele reconheceu a dificuldade e o sofrimento do monge Ryokai que vinha trabalhando durante mais de vinte anos seguidos.
 

Depois de um ano de trabalho, Jitsunossuke transformou-se completamente.

Ele se esqueceu e desapegou de tudo.

Ele reconheceu o verdadeiro valor do ser humano autentico.

Agora, inconscientemente, respeitava profundamente o monge Ryokai.

Penetrava-lhe na alma a vibração da auto-realização infinita e da auto-libertação verdadeira, por causa da concentração de toda a sua capacidade em cada momento.
 

Mais meio ano se passou e o trabalho do túnel chegava ao fim.
 

Na madrugada do um dia de novembro de 1748, o monge Ryokai deu uma forte pancada de marreta na rocha que se despedaçou para fora, entreabrindo uma brecha na montanha.

Ryokai exclamou:
 

“Oh”, e contemplou o céu estrelado, a paisagem silenciosa e o rio que espelhava o reflexo da lua, pela clarabóia recém aberta.
 

Ryokai levantou-se lentamente, segurando-se na parede da caverna.
 

“Minha prece está realizada!”.
 

Lágrimas correram silenciosamente e sucessivamente pelo seu rosto.

Logo em seguida ele chamou Jitsunossuke, mostrando-lhe a paisagem noturna da correnteza do rio Yamakuni pela brecha recém aberta.
 

“Parabéns! Parabéns! Mestre Ryokai!”, gritou Jitsunossuke, abraçando fortemente Ryokai.
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